As margens de esmagamento de soja se tornaram negativas na China. A rentabilidade da suinocultura do país asiático está no vermelho, o que acaba restringindo a demanda por farelo, de acordo com o boletim Radar Agro, do Itaú BBA, divulgado nesta sexta-feira (2).
Assim, o apetite pela importação da oleaginosa para ser esmagada no país passa a ficar reduzido. Além disso, os estoques de soja nos portos chineses estão em níveis próximos às máximas dos últimos cinco anos, outro fator que acaba freando o ímpeto de importação do grão.
Apesar disso, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta elevação para o consumo e para as importações de soja da China.
Para o consumo, o crescimento esperado é de 3,4%, para 120,5 milhões de toneladas em 2023/24, enquanto para as importações, a expectativa é do recebimento de 98 milhões de toneladas, alta de 3,2% sobre 2022/23.
“Devemos acompanhar de perto a evolução das margens de esmagamento e do ritmo de demanda chinês, uma vez que o ritmo de crescimento do país vem sendo posto em xeque e isso afeta diretamente os preços da soja”, cita o boletim da consultoria.
Comercialização no Brasil segue lenta
Ainda há muita soja para ser comercializada no Brasil. Em Mato Grosso, maior produtor nacional de soja e onde geralmente o ritmo de vendas é mais acelerado, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) traz um volume de 37,5% da safra comercializada.
O número está bem aquém da média das últimas cinco safras (53,3%) e ainda atrás do ano
passado (40,7%), quando a comercialização já foi considerada atrasada.
“Considerando a nossa estimativa para a produção brasileira de soja em 2023/24, de 153 milhões de toneladas, e utilizando a referência de comercialização de Mato Grosso para o Brasil, teríamos então mais de 95 milhões de toneladas de soja a fixar neste ciclo”, afirma o relatório do Itaú BBA.
Além de todos os problemas com a safra, como atraso e quebras, a queda dos preços também desestimula uma comercialização mais acelerada da safra.
Entretanto, a consultoria aponta que ao se considerar o grande volume de safra a ser vendido e a necessidade de fluxo de caixa e pagamento de dívidas, é factível considerar que muitos produtores serão obrigados a vender grande parte deste volume entre 30 de abril e 31 maio, gerando pressão também nos prêmios já debilitados da soja.